09/04/2026
Carta para o meu filho que virá a existir
Olá, filho… tudo bem?
Daqui é o teu pai. Sim… o teu pai.
Sei que ainda não existes,
mas escrevo-te na esperança
de que um dia encontres estas palavras
quando finalmente vieres a existir.
Não quero escrever muito.
Esta é apenas a primeira
de muitas cartas.
Mas há algo que preciso dizer desde já:
Vais amar apenas três vezes.
E é por isso que te escrevo.
Vais amar apenas três mulheres…
e por isso, meu filho,
aprende a escolher quem amas.
Guarda-te.
Não desperdices os teus pontos mais raros, mais profundos.
Porque, se os deres a qualquer uma,
corres o risco de te tornares um homem vazio de sentir.
Mas calma…
Antes de falar das consequências
de já não conseguires amar,
deixa-me contar-te isto:
O teu primeiro amor
vai chegar cedo.
Terás entre 13 e 14 anos,
e ela estará na mesma fase.
Mas nessa idade,
quase ninguém te vê como homem.
Não vais saber como falar com ela…
e a rejeição
vai doer mais do que estás preparado para suportar.
Vai mexer contigo,
vai distrair-te,
vai até afectar os teus estudos.
E mesmo assim…
vais amá-la durante muito tempo.
Mas será um amor sozinho.
E durante um tempo,
não vais ter olhos para mais ninguém…
até que a realidade te abrace
e te faça perceber
que ela nunca esteve destinada a ficar.
O segundo amor
virá mais tarde,
numa nova fase da tua vida.
Terás 17… talvez 18 anos.
Mas já não vais amar como antes.
Será um amor… incompleto.
Talvez 60%.
Provavelmente vais conhecê-la também na escola.
Ou num lugar onde a vida ainda está a começar.
E nela…
vais tentar afogar as mágoas do primeiro amor.
Não vais amar só a beleza dela…
mas a forma como te trata,
como fala contigo,
como te entende.
Ela será mais madura.
Mais doce contigo.
Mas, ainda assim…
não será suficiente.
Porque, mais uma vez,
vais amar mais do que és amado.
Ela vai gostar de ti,
vai achar-te interessante…
mas não o suficiente para te escolher.
Vais dar amor a mais…
intensidade a mais…
presença a mais.
(Sabes… às vezes somos atraídos
por quem não nos escolhe.)
Vão sair juntos,
ter momentos, conversas…
mas ela vai escolher ficar pela amizade.
E acredita…
eu vou entender a tua dor nesse momento.
Dia após dia,
a tua capacidade de amar
vai-se desgastando… lentamente.
E quando deres por ti,
restar-te-á apenas um amor.
Um.
E é esse…
que deves proteger com tudo o que tens.
O terceiro amor
não será como os outros.
Não será intenso como o primeiro.
Nem esperançoso como o segundo.
Porque já não vais amar como antes.
Talvez só 45%.
Se entregares esse amor
a alguém que também te rejeite…
há algo dentro de ti
que pode quebrar de vez.
E tu…
podes tornar-te alguém
que eu não quero que sejas.
Alguém que usa…
em vez de sentir.
Alguém que se protege tanto…
que deixa de amar.
E eu não quero isso para ti, meu filho.
Por isso, guarda esse último amor…
para quem te amar primeiro.
E não vivas à espera
de encontrar a mulher dos teus sonhos.
Isso…
não passa de ilusão.
Faz diferente:
torna a mulher que te ama
na mulher dos teus sonhos.
Esta carta já vai longa…
e ainda temos uma vida inteira
de conversas pela frente.
Continuamos na próxima.
E lembra-te sempre disto:
“O relacionamento que dura
é aquele onde a mulher ama o homem…
e o homem aprende
a amar o facto de ser amado.”
Com amor,
teu pai.