11/06/2026
A pesquisa da CNC mostra que 81,6% das famílias brasileiras estão endividadas em maio, maior nível da série desde 2015, com alta pelo 5º mês seguido.
Entram nessa conta dívidas com cartão de crédito, cheque especial, carnês, consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
O cartão de crédito é disparado a modalidade mais usada (84,6% das famílias endividadas), justamente a que tem os juros mais altos do mercado – a CNC cita taxa anual de 428,3% no rotativo, um “alerta vermelho”.
Para responder a esse cenário, o governo lançou o Desenrola 2.0, para dívidas contraídas até jan/2026 e com atraso de 90 dias a 2 anos, oferecendo descontos de 30% a 90% e juros limitados a 1,99% ao mês, inclusive para cartão, cheque especial e crédito pessoal. Quem ganha até 5 salários mínimos pode usar até 20% do saldo do FGTS para quitar parte das dívidas.
Para pequenos negócios, isso mexe direto no bolso do cliente (capacidade de consumo) e na qualidade das vendas a prazo (risco de inadimplência).
Olhando para a análise com base atividade/estabilidade
– O lado atividade destaca que renegociar dívidas é importante para liberar renda e preservar o consumo que mantém seu negócio de pé.
– O lado estabilidade lembra que o nível de endividamento é perigoso e que confiar demais em “venda na confiança” para clientes já apertados pode colocar seu caixa em risco.
Recomendações práticas para o pequeno negócio:
1) Regras claras para vendas a prazo: limite valor e número de parcelas por cliente, especialmente para quem já costuma atrasar; registre tudo (contrato simples, recibos).
2) Use o Desenrola a seu favor: informe seus clientes sobre o programa e incentive quem está enrolado a regularizar a vida financeira; cliente com nome limpo tende a comprar melhor e pagar em dia.
3) Fortaleça vendas à vista: ofereça descontos pequenos, combos ou benefícios extras para pagamento à vista ou no débito, reduzindo sua exposição a inadimplência e juros de maquininhas.
4) Cuide do seu próprio endividamento: não responda ao consumo “financiado” dos clientes aumentando demais o seu crédito bancário; faça fluxo de caixa conservador e simule queda nas vendas para não depender de empréstimos caros.