11/06/2026
Em 1969, um libanês de 22 anos desembarcou no Brasil com US$ 50 milhões de herança.
Em menos de um ano, já tinha mais de US$ 1 bilhão em ativos.
Seu nome era Naji Nahas.
E o mercado financeiro brasileiro nunca mais seria o mesmo depois dele.
No auge das operações, suas ordens de compra eram tão descomunais que ele instruía os operadores a comprar ações por tempo, não por quantidade. "Compre 30 minutos de Petrobras", era o tipo de ordem que ele dava.
Chegou a deter 7% das ações da Petrobras e 12% das ações da Vale, operando com alavancagem extrema e uma rede de testas-de-ferro para inflar artificialmente os preços.
Antes disso, ainda havia feito uma jogada no mercado internacional que poucos conhecem.
Junto com os irmãos Hunt, bilionários texanos do petróleo, e investidores sauditas, participou de uma das maiores operações de corner de commodities da história moderna, levando o preço da prata de US$ 2 para cerca de US$ 50 a onça, uma valorização de 2.400%.
A bolsa americana mudou as regras no meio do jogo.
O esquema desabou.
Nahas perdeu US$ 1 bilhão numa única operação.
E voltou ao Brasil.
Na Bolsa do Rio, usou alavancagem extrema para inflar artificialmente ações de estatais, contribuindo para que o Ibovespa subisse 1.569% em 1988.
Todo mundo queria saber o que ele comprava para copiar a aposta.
Então os reguladores agiram.
Em 9 de junho de 1989, todos os cheques de Nahas ficaram sem fundos. As corretoras se recusaram a arcar com os prejuízos. O efeito dominó foi imediato.
A bolsa parou por 24 horas. Quando reabriu, as ações perderam um terço do valor em um único dia, queda superior à do crash de Nova York em 1929.
A Bolsa de Valores do Rio de Janeiro nunca se recuperou. Foi extinta oficialmente em 2002.
Uma única pessoa.
Alavancagem sem controle.
E a crença de que o mercado não conseguiria te alcançar.
Foi o suficiente para destruir uma instituição inteira.
Fontes: Jusbrasil — Investing.com — Curioso Mercado — Renova Invest — SaldoZero
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