17/01/2023
Os juros futuros terminaram esta segunda-feira, 16, em alta consistente, refletindo preocupações com o cenário fiscal e de inflação. As máximas foram atingidas à tarde, com o mercado repercutindo a possibilidade de aumento do salário mínimo em 2023 acima dos R$ 1.320 previstos no Orçamento aprovado pelo Congresso. Antes, porém, já subiam com a reação negativa ao aumento das medianas de IPCA no Boletim Focus. A escalada, contudo, se deu num ambiente de liquidez mais fraca, resultado da ausência dos mercados em Nova York, em dia de feriado nos Estados Unidos.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2024 fechou em 13,54%, de 13,44% no ajuste de sexta-feira. A do DI para janeiro de 2025 subiu de 12,41% para 12,63% e a do DI para janeiro de 2027, de 12,20% para 12,48. O DI para janeiro de 2029 terminou com taxa de 12,59%, de 12,30%.
O risco fiscal já permeava os negócios desde cedo, dada a desconfiança com relação às propostas apresentadas pelo governo na semana passada. Agradam em teoria, mas na prática precisariam de um cenário bastante favorável para darem certo. A expectativa do governo é de um ajuste de R$ 242,6 bilhões, sendo a maior parte via receitas. “É mais uma carta de intenções do que algo efetivo, dependente de aval político em muitas instâncias”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, segundo o qual, mesmo após as medidas, seguem as dúvidas quanto à sustentabilidade da dívida pública.
À tarde, a pressão na curva ganhou fôlego após o Broadcast informar que o presidente Lula avalia reajustar o mínimo acima dos R$ 1.320, segundo técnicos da equipe econômica. O Ministério da Fazenda, entretanto, seria contrário à proposta. Uma ala do governo defende que essa despesa seja custeada com parte do corte de R$ 50 bilhões de gastos proposto pela Fazenda. “É um fator adicional à pressão já exercida na curva pelas preocupações fiscais”, confirmou Rostagno.
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