30/10/2026
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PRIVILÉGIOS
Feriados prolongados e municípios parados
Neste atual e contínuo cenário nacional de graves distorções administrativas dentro desta Pátria “Armada” Brasil, os agentes políticos se distanciam das responsabilidades públicas enquanto o cidadão adormece na alienação politica emanada de dentro do Eixo do Mal – instalado dentro de Brasília.
Por — Jótha Marthyns
A prática de agentes públicos ausentarem-se sem formalização de seus postos de trabalho fere frontalmente a transparência, revelando o total desrespeito ao eleitor que financia a máquina estatal e espera liderança presente e compromisso ético constante.
O exercício do mandato público exige presença, transparência e responsabilidade. Contudo, o que se observa na rotina dos municípios é o abandono velado da máquina administrativa durante finais de semana prolongados por feriados e recessos parlamentares.
Agentes públicos nas três esferas do poder nacional celebram essas pausas em que a engrenagem estatal simplesmente para, acumulando descansos com uma certeza inabalável: — muitas alegrias para esse pessoal, pois mesmo em diversão prolongada por vários dias, o salário é depositado rigorosamente em dia.
Enquanto isso, prefeitos, prefeitas, deixam a gestão à deriva — com exceção, claro, dos serviços essenciais como água, luz, segurança, Prontos Socorros e mobilidades — recorrendo a programas de rádio pré-gravados e postagens programadas para simular uma ‘presença fictícia’, enquanto o vice-prefeito permanece apagado, sem a devida transmissão de cargo.
Concordo que o descanso é um direito garantido por lei aos trabalhadores. Todavia, discordo veementemente da clandestinidade e da assimetria com que esses afastamentos e regalias/benesses são conduzidos.
A administração pública se rege pelos princípios constitucionais da moralidade e da eficiência, e não é razoável que a máquina pare enquanto o cheque do subsídio continua pingando gordo na conta, sem que haja a devida contraprestação de trabalho e transparência para cntribuintes.
Essa engrenagem de mordomias e aparências só prospera em razão do profundo ‘analfabetismo político’ que assola o país, mais que antes de 2003. Quando a população desconhece o funcionamento das leis e os limites da gestão, a alienação vira regra. O cidadão, que é o verdadeiro patrão do governante e trabalha duro o mês inteiro para pagar impostos pesados, aceita passivamente essa folga institucionalizada. Os gestores aproveitam essa cegueira coletiva para festejar longe do batente, transformando o mandato público em um privilégio intocável.
A crítica que trago não se limita à ausência física do gestor, mas ao modelo ideológico que normaliza o abismo entre o servidor de gabinete e o trabalhador da rua. O gozo de longos feriados com proventos garantidos enquanto o serviço público f**a paralisado reflete a falta de compromisso com a população que exige respostas imediatas e atendimento digno o ano todo.
É preciso despertar a consciência crítica da sociedade. O patrimônio público não pode ser tratado como colônia de férias, nem o pagador de impostos como financiador de regalias particulares. O respeito ao povo se demonstra com dedicação integral, contas claras e presença real no front da administração.
Enquanto o analfabetismo político mantiver as mentes adormecidas, a festa dos “intocáveis” continuará acontecendo à custa do suor alheio. Mas a história não perdoa a omissão dos que se beneficiam da ignorância popular, nem a soberba dos que usam o erário como caixa particular de lazer.
É hora de romper as correntes das conivências corporativas exigindo responsabilidades no trato e cuidado com a — ‘coisa pública’ — pois o verdadeiro poder pertence ao povo e a mais ninguém. Certinho?
* Jótha Marthyns é editor do Jornal A Tribuna Web Noticias. Bacharel em Direito, habilitado em pós-graduações: Direitos Humanos e Docência no Ensino Superior.