03/09/2026
Uma empresa disse em público quanto vai pagar a mais. Quase nenhuma sabe. Em 10 de junho, no Seminário LIDE Turismo, o CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, disse que a companhia paga hoje R$ 2 bilhões por ano em impostos e que, com a reforma implementada, passará a pagar R$ 6 bilhões.
Chamou a aplicação à aviação de “bomba atômica”. A manchete parou aí. A frase seguinte é a que interessa a quem não é dono de companhia aérea: “Não é a Latam que paga imposto. A Latam repassa o imposto. Quem paga é o cliente.” É o mecanismo inteiro em duas linhas.
Tributo sobre consumo anda pela cadeia: cada fornecedor que recalcula a própria conta devolve a diferença no preço de quem compra dele. Você não precisa estar no setor penalizado para pagar a conta dele.
O que não coube no carrossel é o tamanho da nossa ignorância coletiva sobre isso. Procuramos em seis fontes a memória de cálculo dos R$ 6 bilhões e nenhuma publica.
O número é declaração da empresa, não conta auditada — e é assim que ele aparece aqui, com nome, cargo, evento e data. Uma casa de contabilidade que trata declaração como fato apurado não está informando ninguém.
E é justamente aí que está o ponto. A LATAM abriu a planilha antes de reclamar. Fez a conta dos dois cenários, do seu tamanho, com os seus números. Foi por isso que teve o que dizer.
A pergunta que f**a não é sobre aviação:
Se a sua empresa tivesse que dizer hoje, em público, quanto vai pagar a mais depois da reforma — você teria o número?
Acompanhe a série por aqui. E se essa conta ainda não foi feita na sua empresa, chame para uma revisão: é trabalho de caso, com os documentos na mesa.
Fontes:
declarações de Jerome Cadier ao Seminário LIDE Turismo em 10/6/2026, reproduzidas por ND Mais, Exame e CNN Brasil. Os R$ 6 bilhões e os 25% são estimativas da companhia.