14/01/2023
Essa é uma combinação muito popular entre governos: reajuste de salários pela inflação + tabela de imposto de renda progressiva que quase nunca é reajustada.
Desse modo, em relativamente pouco tempo, um imposto que originalmente foi criado pelos ingleses apenas para os ricos na época das guerras napoleônicas - a maior parte dos impostos começa assim - acabará pegando a todos na sua faixa de alíquota mais alta, concentrando ainda mais recursos que poderiam ser gastos de forma privada na mão do poder público.
E o mais interessante é ver como ao longo do tempo quem ganha menos está pagando mais imposto de renda.
Observe que na figura 5, que mostra a tabela de IR em agosto de 1994 (é necessário colocar o mês porque tivemos várias tabelas diferentes naquele ano), só quem ganhava mais de R$ 591,10 pagava IR.
Como o salário mínimo da época era de R$ 64,79, só quem ganhava mais de 9 salários mínimos pagava IR.
Quem estava abaixo disso era isento.
Hoje em dia, como é possível ver na imagem 4 que mostra nossa tabela de IR atual, se você ganha um pouco menos do que 1,5 salário mínimo, parabéns!
Já está apto a ter uma parcela da sua renda subtraída em prol do "bem coletivo".
Por fim, repare que coloquei na conta uma inflação de 5% ao ano e a manutenção da alíquota em
27,5%…
Mas lembro que a inflação pode ser maior
(considerando o histórico do Brasil e mesmo do
Plano Real) e as alíquotas também (há várias iniciativas para um reajuste da tabela com criação de alíquotas mais altas). 🤦🏻♂️