14/10/2025
💡 Destruição Criativa e o Tamanho do Estado
Por que a elite americana inova e a brasileira captura?
Na média, a elite econômica americana prefere um Estado pequeno.
Não porque seja contra a regulação, mas porque compreende que para enriquecer e permanecer rica precisa inovar — precisa melhorar a vida das pessoas apesar do Estado, não através dele.
A prosperidade, nesse modelo, é consequência da competição, da reinvenção e da coragem de destruir o que já não serve.
A elite econômica brasileira, por outro lado, prefere um Estado grande.
Não porque deseje mais justiça social, mas porque entende que para enriquecer e permanecer rica precisa de favores: crédito direcionado, renúncia fiscal, contratos, proteções e privilégios.
Aqui, o sucesso raramente nasce da destruição criativa — nasce da preservação rentista.
Foi justamente essa diferença de fundamento que o Prêmio Nobel de Economia de 2025 procurou iluminar.
Como afirmou John Hassler, presidente do Comitê Nobel:
“O crescimento econômico não pode ser dado como certo. Devemos defender os mecanismos subjacentes à destruição criativa para não cairmos na estagnação.”
Mas isso só foi possível onde o novo teve permissão de nascer.
Como disse Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central:
“Se você ficar sete dias fora do Brasil, tudo muda. Se você ficar sete anos fora, nada muda.”
A frase sintetiza nossa tragédia institucional: mudamos muito na superfície, mas quase nada na estrutura.
Enquanto os EUA cultivam o ecossistema da destruição criativa — inovação, liberdade e risco —, nós continuamos presos à destruição improdutiva, onde cada avanço depende de uma autorização, uma caneta, um favor.
E assim, enquanto lá o futuro é construído apesar do Estado,
aqui ele ainda depende da boa vontade do Estado.
Reflexão por Paulo Marostica, CFP®️
📊 Planejador Financeiro e Contador